quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nobre, generoso

Todo dia ela o olhava de longe, era inevitável que seus olhares se encontrassem e toda vez que isso acontecia, sentia seu coração disparar. Ela ainda não havia se dado conta que estava diante do sentimento mais absurdo, violento, imenso, lindo, sofrível, inspirador, romântico, trágico, intocável, incompreensível e perfeito que ela poderia conhecer. Sua pele era clara, seus olhos profundos, tinha traços de uma criança e até mesmo seu nariz protuberante a seduzia. Todo dia ela procurava pelo seu moleton azul e sua mochila preta naquele mar de rostos, moletons e mochilas. Ela tinha planos para o futuro dos dois sem nem ao menos saber seu nome. Ela sonhava com ele, ela pensava nele enquanto ele nem sabia da sua existência e é isso que tornava tudo tão fascinante, o fato de que eles nunca se conheceriam.
Nunca?
Nunca!
Pelo menos era o que ela acreditava.
Quando ele se juntou a sua roda de amigos e dirigiu a palavra a ela, seu coração acelerou imediatamente, faltaram palavras, ela sentiu que podia voar. Quando o abraçou para se despedir e perguntou seu nome, foi o momento mais absurdamente mágico que ela poderia viver. Ela sabe, ela tem a certeza de que os dois nunca realizarão seus planos juntos, mas é isso que torna esse sentimento tão violentamente intenso. Ela estava de frente com um sentimento que até então só havia visto em filmes, livros.
Foi então que ela descobriu o real significado de "amor platônico".

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