sábado, 13 de novembro de 2010

Algo me diz que você poderia esperar uma carta vinda de qualquer pessoa, menos minha. Se servir de consolo, estas palavras são uma surpresa para mim também. Não tinha intenções de lhe perturbar novamente com minhas palavras e lamentações. Muito menos de falar de sentimentos. Eu sei que você não tem intenção alguma de me integrar novamente a sua vida. Mas eu não quero lhe falar de sentimentos. Quero lhe falar da chuva.
Estava deitada quando começou. Primeira fina, quase inaudível. Foi aumentando. Mais e mais pingos atingiam o chão. O barulho, conseqüentemente, foi aumentando junto. Tornou-se alto, tranqüilizador. Alguns minutos depois, essa chuva trouxe junto de seu barulho, seu cheiro. Cheiro de paz, cheiro de você. E me bateu saudades. Você não imagina com que intensidade. Foi então que me dei conta. É dia 13 de novembro. Faz nove meses desde aquele dia.
Lembro muito bem daquele dia. 13 de fevereiro. Lembro-me de uma mensagem onde você perguntava se quando me abraçasse, poderia demorar um pouquinho para me soltar e eu disse que você tinha todo o tempo do mundo. Lembro daquele abraço. Não foi o primeiro, mas contou como se fosse. Andamos, rimos. Lembro também do seu medo de pombos. Paramos naquela ponte. Conversamos e você me abraçou. E no silêncio você me beijou. E foi especial para mim. Acredito que para nós. Naquele momento, eu tinha tudo que eu precisava e eu simplesmente abri mão daquilo. Não me pergunte o porquê. Eu realmente não sei. Eu só sei que sou inconseqüente demais para ter os sentimentos de alguém como você.
Não me perdôo por ter lhe magoado. Nunca o farei. Então vim aqui, novamente com minhas desculpas. Não estou lhe pedindo que volte a minha vida, só estou lhe dizendo que sinto sua falta. Ver-te foi terrível. Não te ver, mas ver aquele olhar frio, de desprezo. Foi como uma lâmina rasgando minha carne. No exato local de uma antiga ferida mal cicatrizada. Uma ferida que arde loucamente nos dias de chuva. Aquele cheiro de chuva. Como se fosse uma espécie de gás lacrimejante. Sim, lágrimas.
Eu só queria mesmo lhe agradecer novamente. Por tudo. Por aquele abraço. Por aquele beijo. Por aquele sentimento. Você tem sua vida, você é feliz na sua vida e eu fico feliz que seja. Eu espero que seja, pois você é o tipo de pessoa que merece toda a felicidade que um ser humano possa conhecer.

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