segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Estavamos deitados. Eu podia sentir que a cada respiração estavamos mais próximos. Ele se levantou no meio da noite. Eu acordei quando senti seu braço que estava sobre mim se retirando. Senti um frio naquele local. Abri meus olhos. Ele olhou nos meus. Me pediu para voltar a dormir. Lhe perguntei aonde ia. Ele disse que ia fumar um cigarro. Eu perguntei se estava tudo bem, ele disse que sim. Eu estava com tanto sono que nem dei importancia. Ele beijou meu rosto. Me abraçou e cheirou meu cabelo. Como sempre. Eu acariciei suas costas. Era como um ritual. Meu Deus, como eu gosto daquelas costas. Ele se levantou e se saiu pela porta. Minutos depois, comecei a chorar intensa e incessantemente. Quando ele voltou, me abraçou forte e perguntou o que eu tinha. Eu disse que fiquei com medo de que ele não voltasse pra mim. Então ele sorriu e disse que sempre voltaria. E nesse dia eu aprendi que não preciso nem sentir tua falta, porque ele sempre voltará. Sempre. E essa certeza se deve ao fato de que a mesma falta que eu sentiria dos teus olhos e das tuas costas, ele sentiria do cheiro do meu cabelo e das minhas pernas. E eu sei que ele não suportaria viver com essa falta. Seria eternamente um quebra-cabeças faltando peças. Eu não estou supondo nada. Teus olhos me contaram sobre isso. Eles te denunciaram e te entregaram a mim.

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