sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Não somos pessoas completas. Nós viemos completos a esse mundo, mas deixamos pedaços pelo caminho. Eu, diferente das outras pessoas, perdi pedaços demais. E não me contentando em perder os meus pedaços, perdi os teus também. Eu estava perdida, sangrando, quase no fundo quando meus olhos avistaram alguém. Puro. Quase celestial. E essa pessoa me ofereceu seu coração. E eu, na minha ingenuidade de quem quer mudar. Como um viciado que se drogou a vida inteira e espera acordar um dia não precisando da sua cocaina. E eu aceitei teus sentimentos. Remendei o que sobrou de amor em mim e lhe entreguei. E tudo pareceu me bem. Até que uso tudo que posso dele. E canso. E quando me canso, eu me vou. Deixando-o pior do que eu estava quando o encontrei. E essa sou eu. Como uma planta carnivora. Como uma doença. Um parasita. Essa sou eu. E depois que percebo o que fiz, tento voltar atrás mas já é tarde demais novamente. E lá vou eu procurar teu cheiro no sexo de outros corpos. Na melodia de uma balada qualquer. E eu choro. E eu fumo. E eu escrevo. E eu sinto falta do teu café. E eu te ligo, na esperança de ouvir o teu alo. Mas não é você que atende, definitivamente não é tua voz. Era de se esperar que você encontrasse alguém a quem sugar. Eu te envenenei e te transformei no que eu sou. Como um ciclo sem fim. Um ciclo vicioso. Infectante. E em cada sexo que busquei teu cheiro, cada dose que procurei teu gosto, eu deixei mais um pedaço, daqueles que você me entregou. E sim, eu estou vazia novamente. E me pergunto, por que diabos, espero novamente me recompor. Pessoas como eu merecem ser vazias. Como uma garrafa de vinho depois do natal. Esquecida em um canto. Como uma planta morta no canto da sala. Me convenci que não mereço me recompor. Preciso de coisas 7, como meus 7 pecados pessoas. Álcool para dormir, sexo para passar o tempo, cigarros para relaxar, poesia para chorar, pecados para cometer, café para me manter acordada e um pouquinho de ilusão para não sucumbir a morte.

Um comentário:

  1. Lindo texto. Na verdade impressionante. Você me fez lembrar de uma escritora - que com certeza já leu - chamada Anais Nin. Há uma psicologia rebelde e subversiva, sutil e profunda nesse texto e nos dela que se assemelham. Um deslizar suave pela "imoralidade" de desejar o outro mesmo o tratando como objeto. Felizmente amar também é saber que não é possível realizar o amor sem a multiplicidade e somos iludidos pela paixão, por nos cativar mais por uns que por outros não podendo compreender que a totalidade do outro deve ser buscada em sua plenitude e não nos costumes que o outro nos deixou. Somos viciados na comodidade de nossos egos...

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